O problema é competir com os diversos estímulos por aí.
Quando você entra em uma sala e conecta o seu computador à TV ou projetor, ou compartilha sua tela em uma reunião online, você está convidando as pessoas a prestarem atenção, e há um preço alto a se pagar por esse ativo tão valioso.
O termo “economia da atenção” foi descrito pela primeira vez pelo economista Herbert Simon na década de 1970. Ele observou que muitos projetistas de sistemas atribuíam falhas de usabilidade à suposta falta de informação e, na tentativa de “educar” os usuários, inseriam mais e mais informações, gerando interfaces cada vez mais confusas. Com a popularização da internet, a expressão ganhou notoriedade. No marketing, a atenção passa a ser vista como recurso escasso e valioso, uma vez que cada pessoa possui uma capacidade limitada desse recurso. Nos anos 80, John Sweller propôs a Teoria da Carga Cognitiva, mais uma vez reforçando essa limitação da cognição humana em reter e processar informações.
Com tanto conteúdo disperso, notificações pipocando a todo o instante em celulares e computadores, conquistar a atenção de alguém em uma reunião, treinamento ou apresentação tornou-se uma grande vitória!
Voltemos à história da carga cognitiva. Segundo essa teoria, nossa memória de trabalho funciona mais ou menos como uma taça de água. Ela tem capacidade limitada. Se eu despejo muita coisa sobre ela, certamente irá transbordar. Imagine que tudo que escorre para fora da taça são informações perdidas – coisas que vimos, ouvimos ou sentimos, mas que não irão ficar registradas na memória. Apenas o que permanece na taça segue para a memória de longo prazo.
É por isso que existe uma disputa acirrada, especialmente nos meios digitais e na publicidade, para ver quem permanece e quem transborda. E é aí que mora o perigo. No momento da sua fala, absolutamente tudo ao redor do seu público compete por espaço nessa taça: do carro do ovo passando na rua à notificação daquele e-mail urgente.
E atire a primeira pedra quem nunca ficou bisbilhotando o celular enquanto assistia a um treinamento ou palestra! Se for online, então, o simples fato de não estar sob a vigilância direta do orador nos permite dirigir, comer, responder mensagens e até ir ao banheiro enquanto, supostamente, dividimos nossa atenção com quem tem algo a nos dizer. O tempo precisa render, eu sei…
E para você, que está com a palavra naquele momento, a grande pergunta é: como fazer as pessoas focarem a atenção do que eu tenho a dizer?
A resposta passa pela coerência e a unidade dentro da sua apresentação.
Se tudo que a pessoa vê, ouve ou sente é despejado dentro da taça, você deve ser o mais criterioso possível para não deixar entrar ruído. Tudo o que está sob o seu controle deve direcionar a atenção para a mensagem principal. Isso envolve, claro, o conteúdo em si, que precisa estar bem alinhado às necessidades daquela audiência, mas também tudo aquilo que a pessoa vivencia enquanto está diante desse conteúdo.
E boa parte dessa experiência está naquilo que a pessoa vê.
Hoje em dia é bem mais fácil fazer slide bonito, card bonito para as redes sociais, e gerar imagens por IA com uma qualidade impressionante. Mas será que ser “bonitinho” já funciona para prender a atenção do meu público?
Eu costumo dizer que cada slide de uma apresentação precisa ser visto como uma cena. E uma cena, por definição, tem começo, meio e fim.
É a estrutura, alinhada à função, que dá sentido à escolha de elementos visuais. Sem um projeto gráfico e uma intenção clara que direcione o olhar dos participantes, qualquer material bonitinho se torna apenas mais um elemento ordinário na paisagem.
Um exercício simples é olhar para aquele slide ou material de apresentação e se perguntar: para onde o meu olho vai quando vejo essa peça? Qual o caminho ele percorre? Se o seu olhar fica rodando feito barata-tonta naquele material, é quase certo que, em uma fração de tempo, seu cérebro vai desistir de persistir, e vai buscar algo mais interessante para fazer (como dar uma checadinha rápida nas mensagens).
Mas se você fica curioso pela próxima página, pelo próximo slide, e quando acaba ainda tem fôlego para mais e mais… é sinal de que a atenção foi bem gerenciada.
Aqui vale reforçar: em uma apresentação conduzida por alguém, esse visual envolvente precisa estar equilibrado com todo o entorno — o conteúdo, o ritmo e a expressividade do orador (isso é tema para outro artigo).
E se você já ouviu falar em visual storytelling, sabe exatamente do que eu estou falando: é quando o design gráfico vira experiência, e conta a história com você (ou por você).
Portanto, não basta fazer bonito. A beleza é uma ferramenta poderosa de gerenciamento da atenção e de equilíbrio da carga cognitiva, mas só faz a apresentação brilhar quando também contribui para a aprendizagem.
É com esse olhar que atuo como designer e palestrante: ajudando pessoas e empresas a construírem apresentações que respeitam a atenção de quem assiste, equilibram beleza e clareza e transformam conteúdo em aprendizagem de verdade. Se você sente que tem boas ideias, mas elas não estão chegando com a força que merecem, talvez não seja falta de conteúdo – seja apenas a forma como essa história está sendo mostrada.






